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A cirurgia, enfim!

Então eu não consegui escrever antes da cirurgia, mas vamos lá!
O tempo que tive entre a notícia da antecipação da cirurgia usei entre consultas, visitar a família, comemorar com os amigos e trabalhar, porque tinha uma semana de coisas pra por em dia.
A cirurgia começou às 8h e fui pra sala de recuperação às 10:30. 11h já estava conversando com minha mãe no horário de visita.
Às 16h eu já dei minha primeira caminhada e fiz xixi.
Se eu disser que senti dores eu vou estar mentindo, mas senti um desconforto enorme por causa dos gases.
O médico explicou que em cirurgias por vídeo é injetado gás para separar os órgãos e blablabla (porque nao entendi muito bem), e era isso, a gente fica gaseificado depois e isso acaba dando o referido desconforto.
Eu fiquei na sala de recuperação por 30h, superbem tratada, as enfermeiras e tecnicas de enfermagem sempre em cima, medicado e ajudando.
24h veio a fisioterapeuta e me ensinou alguns exercícios para a respiração, gases e circulação.
Eu tomei banho de chuveiro também. Caminhei bastante.
Sei que tive sorte. Médico disse que meu fígado estava bastante pesado e ficava caindo o tempo todo.
Teve uma paciente que fez cirurgia exatamente igual após a minha e sei que ela estava com muitas dores, recebendo morfina direto. Eu ganhei dipirona e só.
Então cada corpo reage de uma forma. E eu estou tão bem. Estava contando as horas pra vir aqui escrever que deu tudo certo.
Não é a melhor sensação do mundo porque tu fica desconfortável pra se mexer, parece que qualquer movimento os pontos vão arrebentar e tu está vulnerável, se sentindo (mais) feia, cabelo grudado na cabeça de ficar deitada.
Particularmente até prefiro não receber visitas nesses momentos, mas são tantas pessoas torcendo por mim, que nao tenho do que reclamar. E certamente amanhã ja estarei ainda melhor e mais gente.
Estou feliz com minha recuperação. Ontem tomei agua. Hoje recebi gelatina, cha, caldinho, mas mal consegui passar  da segunda colherada. O engraçado é que na hora que chegou a gelatina, pensei: isso eu tomo num gole! HAHAHAHA.
Então tenho uma nova vida a me adaptar com a certeza que foi uma excelente decisão pela minha saúde.
Saúde! Mal posso esperar para recupera-la e me livrar de tantos remédios e dores.
A palavra do dia é,  mais uma vez, gratidão.

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O susto, a glória e a vitória da cirurgia antecipada.

Em meio a uma quarta-feira ansiosa para todos os gremistas que, assim como eu, esperavam pela final da Copa do Brasil, eu recebo um telefonema às 18:45 com a seguinte informação:
- Tônia, tua cirurgia teve que ser remarcada (AIMEUDEUS), na verdade, adiantada (SOCORRO), ficou para segunda-feira, dia 12.
- QUANDO? COMO? AGORA?
Bom, o resumo da ópera foi esse. Eu tremia e não conseguia ligar para meu chefe para informar a situação e ver o que faríamos. Depois, não conseguia ligar para minha mãe dizer que ela precisava antecipar a vinda dela. Depois disso eu decidi: Não quero falar de cirurgia hoje.

Pintei a cara nas cores do meu Grêmio. Juntei os amigos e #partiuGoethe. Eu pensava tanto nisso quando eu era adolescente, de ver os gremistas na Goethe, pensava se era perigoso mas queria estar lá. Era tão distante pra quem morava no interior do estado. E naquele momento eu estava ali, junto de não sei quantos mil torcedores, batendo records, sendo CAMPEÕES.
Consegui dormir já passava às 4h da manhã. Só pensando em Grêmio, em alegria no meio desse ano bem bosta de 2016. Conseguindo acender uma alegria depois de uma semana tão dolorida com nossa irmã caçula, Chape. Eu vi um Grêmio que há tanto não via. Os torcedores, a risada, o choro e qualquer  piadinha se tornou tão irrelevante. De cheiro de mofo, de o que for, porque é tudo tão novo da mesma forma de sempre. Foi uma alegria sem fim.
Voltando a minha realidade, manhã de trabalho com difícil concentração. Por vezes falava pra mim: VAMOS LÁ, TÔNIA. E enfim, voltei a cirurgia.
Não tenho muito o que pensar até conversar com o médico e tirar minhas 859 dúvidas. Sei que segunda-feira, às 6h estarei indo para o hospital para às 7:30 entrar para a cirurgia.
Hoje vou à clínica resolver pendências e entregar termo de consentimento. 
Na verdade, eu não sinto ansiedade agora, não tenho medo. Talvez sinta um frio na barriga a caminho do hospital, mas como já falei reiteradas vezes para quem me conhece, eu tô fazendo isso pela minha saúde porque aparentemente, cheguei no meu limite e sim, eu não aguento mais.
DORES, eu não aguento mais sentir dores por conta do peso. Nas costas, nos joelhos, nos pés, na consciência e na vida.
Eu não aguento mais sentir vergonha e fingir que está tudo bem. É como se todo dia eu acordasse e fosse uma mentira pra contar.
A bariátrica não é uma cirurgia apenas, é um tratamento e quem passa sabe o quanto exige de cada um. Então eu sei que daqui 5 (CINCO) dias, minha vida vai mudar e eu queria dividir com vocês o quanto estou feliz com isso.
Obrigada, dezembro!

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Retorno ao cirurgião e Realização de perícia

Achei que esse dia não chegaria nunca. É tanto exame e horário de médico que a gente se perde. Isso porque eu concilio horários de consultas com o horário de trabalho, então eu era atendida ao meio-dia, aos sábados e ainda, depois das 18h chegando já a noite em casa.
Mas deu certo.
Finalmente voltei no cirurgião, entreguei todos os exames para ele e: Já está preparada para a perícia.
Ele ia me explicar tudo, porém, ansiosa como sou, eu já tinha ligado há 2 semanas para o plano de saúde para saber como funcionava os horários para as perícias, já sabia o que tinha e o que não tinha que levar e no fim a conversa foi só para confirmações e para pegar o laudo médico.
E hoje pela manhã realizei a perícia. Eu não sabia se estava exatamente ansiosa porque ontem tinha jogo do Grêmio, final da Copa do Brasil e isso tomou bastante da minha ansiedade. Eu tive que fazer perícia para o plano de saúde liberar a cirurgia e os materiais cirúrgicos.
O meu plano funciona da seguinte forma: Tu vai lá com tua carteirinha, pega senha, espera ser chamado e eles avaliam o laudo do cirurgião. Te pesam, questionam tua altura, fazem o cálculo do IMC (acima de 40 é autorizado automaticamente) e carimbam o laudo. Carimbaram o meu e pronto!
Mal acreditei que era tão fácil.
Voltei diretamente à clinica com o laudo assinado. Me deram um termo de responsabilidade que entregarei na semana que precede a cirurgia quando irão me chamar para nova consulta com o cirurgião para tirar todas as dúvidas que surgirem até lá. 
Perguntei:
- Quanto tempo o plano demora para dar o OK?
- Ah, isso agora já é certo. No máximo segunda-feira (hoje é quinta) já estou com a autorização em mãos.
- Então é certo dia 19/12?
- Sim, é certo!
Eu saí de lá tão radiante, tão feliz!
Quando eu decidi fazer a cirurgia e chorei, não sabia se conseguiria. Eu mal sabia para onde ir. Agora só na base da 'força e fé', eu posso considerar que escolhi, inclusive, a data que queria fazer a cirurgia. Muito antes de eu procurar o cirurgião eu já dizia: é dia 19/12.

Ah, gente! Só alegria. Dia 19, melhor pessoa!
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Me preparando para a fase líquida

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Último laudo conquistado

Dia 11/11 acho que foi o dia que eu mais ansiava antes de retornar ao cirurgião. Era a reconsulta com a endocrinologista para levar os novos exames de sangue.

Eu baixei consideravelmente o triglicerídeos e aumentei bastante a vitamina D, mas eu não sabia se era o suficiente para ela me dar o laudo. Eu tentei muito não ficar ansiosa, ou mais ansiosa que o meu normal.

Quando cheguei, ela me abraçou, riu comigo, olhou meus exames e falou sério: Agora vou te dar o laudo, mas é importante tu continuar o tratamento até a data da cirurgia para quando chegar lá estar ainda melhor do que agora, para não sofrer tanto qualquer efeito que possa dar, mas risco você não corre.

Ela escrevia o laudo e eu não sabia se chorava ou se ria, de tão feliz que eu fiquei. Saí de lá com vontade de virar estrelinhas e dar pulinhos, mesmo sabendo que foi só uma etapa, a de conseguir todos os laudos.

E eu consegui todos os laudos.

Assim que saí da consulta, me encaminhei para a recepção para marcar, finalmente, a reconsulta com o cirurgião. Será dia 23/11 e a perícia no plano de saúde será dia 24/11. Conversei um pouquinho com a coordenadora da clínica sobre minha situação, que eu gostaria muito de fazer a cirurgia no dia 19/12, por ser o início das minhas férias...

- Dia 19/12 é a única data que ainda temos para 2016.

Eu quase infartei. Não sabia ainda se era muita sorte ou muito azar e hoje, 8 dias depois, eu ainda não sei. Mais uma vez estou respirando e contando até 10 para não me sentir ansiosa, para dar tudo certo com o cirurgião e com a perícia e finalmente ver o dia 19 agendado para mim. Infelizmente sem a autorização do plano não há como reservar a data.

Mas, é naquelas, eu faço tratamento para ansiedade desde meus 17 anos, já fiz todos os tipos de tratamento, e se eu não usar a ansiedade a meu favor, ela vira o teu monstro do armário e tudo o que menos preciso nesse momento, é ter um incômodo.

Nesse pensamento, eu não tive mais as dores terríveis da gastrite. Milagrosamente ela deu um tempo pra mim. Também não tive mais choros que eram muito recorrentes na hora de dormir. Então eu vi que ansiar tanto para conseguir fazer na data que tanto quero, não vai me ajudar. Quando chegar o dia 19, eu vou ter que viver aquele dia, com ou sem a cirurgia, então eu prefiro deixar pra pensar no que fazer somente lá.

É simples assim? Nenhum pouco. Se eu pudesse eu estaria surtando, jogando no facebook todo meu desespero, culpando o mundo e a vida e a quem quer que passasse na minha frente que eu não posso controlar o tempo, mas já tive provas suficientes que isso não muda nada.

E aliás, não tenho mais paciência para pessoas assim.

Acompanho grupos de facebook de bariátricos e pré-bariátricos de todo o Brasil, e um dos depoimentos que mais gostei foi de uma mulher que disse estar aguardando consulta no cardiologista, quando uma senhora sentada ao seu lado questionou se ela faria bariátrica e seguiu o seguinte diálogo:
- Está preparada?
- Sim
- Eu fiz bariátrica faz 10 anos. Tive choque anafilático, fiquei na UTI e depois tive um problema que sangrei muito. Quer saber? Eu faria tudo de novo!

É disso que me refiro: otimismo.

Nós precisamos ser um pouco de Pollyana Moça e fazer o jogo do contente diário. Todos os dias precisamos ser otimistas porque a mudança na vida é muito grande, mas é como contar uma nova data de renascimento.

Dia 18 de dezembro tem sido uma data muito importante pra mim ao longo dos anos. Eu me formei no ensino médio nesta data. Eu me formei na faculdade nesta data. Aparentemente baixarei hospital pra dar a luz a uma nova Tônia, nesta mesma data. Prefiro não desprezar que a vida pode ser maravilhosa.

Se não for assim, tudo bem. A cirurgia terá que acontecer em um outro momento que eu ainda não foquei porque acredito que não necessito. Se acontecer, vou puxar o fôlego e focarei.

Ser pré-bariátrico exige muito mais da gente. A conquista dos laudos já é uma grande vitória porque só quem passa por isso é que se dá conta de quantos medos teve e quantos deles foram superados nos últimos meses.

E isso é uma luta tão íntima, tão tua, que mesmo que tu tenha alguém do teu lado nesse momento e, como no meu caso, que também tenha passado por isso, ele não sabe 5% do que se passa contigo. Cada um reage de uma forma, tem um exame diferente e uma reação para as notícias.

No fim, somos todos iguais: vencedores!
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Cabelos.

Pois então!

Acompanho alguns grupos no Facebook onde muitos falam sobre a queda de cabelo e ainda postam fotos dos cabelos em suas mãos.
Cada escovada é uma chuva de lágrimas. 
Isso não me faz desistir da cirurgia porque o foco é o final: saúde e corpo magro. Mas... não sejamos hipócritas, né? Eu tenho medo.
Em 2009 eu tive uma reação da tintura no meu cabelo que me fez perder uma boa parte da juba que ainda ficou com 5 cores não aceitas pela sociedade.  Foi um susto, chorei mas passou. Meu cabelo voltou a crescer e sigo pintando com tinta de farmácia mesmo achando que meu cabelo ta fervendo com a tinta.
Minha genética não é muito favorável quanto a "capilancia". Aliás, é bem pouco boa.
Então isso me deixa meio estranha. Só que se eu ficar ansiosa e estressada por isso vai contribuir para a perda do cabelo e não tô a fim de contribuir pra isso.
Não  sei se vou ficar careca, não sei se sobrarão 30 fios, não sei se a perda será significativa. Vai ser estranho acordar todo dia sendo uma Tônia transitória mas eu vou passar por isso sem arrependimento algum.
Há quem perca cabelo por doença  o que acredito que deve ser 200% mais difícil, afinal, ao contrário de mim, adoecer nem sempre é uma escolha consciente (frase com base em crença  em pluralidade de  existências ), ou nao é uma escolha.
No meu caso, estou ciente das consequências da minha decisão.
Perder cabelo mexe muito com a autoestima de qualquer ser humano, mas se atualmente minha autoestima está gritando por socorro, não é essa passagem da minha vida que me fará chorar.
Eu decidi ser bariátrica. Eu decidi ter uma nova vida.
Eu decidi não me arrepender!
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... porque ano que vem eu chego nos 30.

Nunca tive problema com idade ou com envelhecer. Tecnicamente, nunca fui vaidosa e sempre fui impaciente. E assim se passaram 29 anos.

Quando penso nisso só me vem uma palavra na cabeça: CREDO!

É como se eu não soubesse onde eu estava esse tempo todo e quando percebi já estava/estou chegando na idade que sempre ouço mulher falando que tudo começa a piorar/cair. 

Hormônios...

Quando eu tinha uns 14 anos estava na sala de espera da dentista quando outra paciente dela puxou papo comigo. Ela tinha um bebê de colo, mas aparentava ser bem mais velha (que eu). Ela me disse que tinha 49 anos. E eu: UAU!
Não que fosse coisa de outro mundo, ser mãe não tem idade, inclusive conheço parideiras também que nunca souberam o significado da maternidade mesmo dizendo que ser mãe é maravilhoso... (tô julgando? Talvez). Mas o fato é que aquela moça (senhora?) do dentista me disse que achava que eu tinha uns 18/20 anos.
Eu tomei como um elogio naquela época porque eu em nenhum momento pensei em aparência. Considerei que ela estava falando do meu intelecto e me achava a inteligentona naquele instante. Ah, eu era mesmo. Acho que fui uma adolescente esperta, mas ser sempre uma coisa só é difícil, talvez por isso eu tenha passado por uma fase que me senti um tanto insegura sobre a vida.

Daí tô pensando que ano que vem eu faço 30. TRINTA. T-R-I-N-T-A! E me desculpem as novinhas, mas todo esse peito e nariz empinado é maravilhoso, mas vocês ainda não experimentaram a sensação de independência! E isso, amores... AH!


E daí, ok. Antes que tudo piore, que tudo caia, que tudo seja mais difícil, é hora de eu fazer algo por mim. De buscar minha saúde, de resgatar alguma vaidade e de sorrir sem ter metais nos dentes. De sofrer de gastrite por tomar muito café, de achar balada uma palavra escrota exatamente igual a festa que leva esse nome. Que sair tomar cerveja com os amigos, ou simplesmente receber os amigos em casa tem um valor inestimável, e que ter saudade da família é algo suportável, mas que é essencial não sentir e estar por perto.

O ser humano anda perdido, o índice de jovens (dos quais me incluo) que sofrem com depressão e ansiedade é cada vez maior, e a insatisfação com o atual status é parte da evolução. 

Gente! Eu tô chegando nos 30! Tô prestes a borboletar e tô incrivelmente OK com isso.

Não sabia que ter 29 anos é finalmente se dar conta que não conta como hora extra todo o tempo que tu gasta chorando pelo teu trabalho. Assim como não contou como hora complementar todo o tempo que passei reclamando da faculdade. E também que não conta pontos no campeonato mundial de seres humanos viver de relações falidas, com humanos que respiram raiva e com quem nada mais te acrescenta.

Ah, Renato, se eu soubesse do que você falava na música 29, eu nunca teria ansiado chegar nessa idade. Mas eu também  aos 29 com retorno de Saturno, decidi começar a viver.
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(roubei o texto e postei na cara dura mesmo, pois, só li verdades)

Por: @Carol Loos
Xô falar uma parada, nego tá achando que Bariátrica é opção de dieta! Meu povooooo, o bagulho é doido, vamu lá!! O cabelo cai, a sobrancelha cai, a unha não cresce, vc fica 30 dias bebendo uma água suja, gatorade, água, água de coco, em menos de 20ml a cada 5 minutos, toma dez eu disse DEZ injeções na barriga, no mínimo, usa uma meia maldita pra não dar trombose por 10 dias que é um parto pra por e tirar... vc acha que vai emagrecer 30 kg em três meses, aí tem a merda do efeito platô, vc para de emagrecer fica louca, ranca os restos de cabelos que tem, no quinto mês emagrece mais, depois de um tempo geral fala que você tá doente, pq vc fica "pele e osso", não consegue comer carne, não consegue comer frango, se toma ou come algo mais doce você encontra Jesus e volta (é... o famoso dumping), se come algo gorduroso da sonolência, dor de barriga, arritmia, taquicardia, se não mastigar entala, vomita, fica suando frio, a pressão oscila, você sente dor, depois fica CHEIOOOOOOOOOOOOO de pelanca, tem que se subter as cirurgias plásticas (OBA o tão sonhado SILICONE), fica 15 dias andando curvada, dependendo dos outros até pra limpar a bunda, volta pra dieta líquida, pq comer deitada pode "ferrar" a porra toda, tá toda costurada, não pode tossir, não pode espirrar, não pode rir, usa uma merda de uma cinta apertada que você nem respira, anda com dreno, fica toda retalhada, tem que ir a revisões (e vamos lá os médicos nunca são perto de casa), faz tudo pelo convênio, mas tem que vender até as "pregas" pra pagar as despesas, muda de dieta, sua vida social fica prejudicada, pq você vai pra passeios e precisa, PRECISA levar sua marmita, pq nem todos se importam com suas restrições, afinal bosta, vc escolheu essa vida e a restrição é sua, faz exame de três em três meses (isso se vc tiver sorte das taxas estarem sempre boas), depois passa pra duas vezes ao ano (se tiver a sorte que eu falei) , e depois com a mesma sorte uma vez ao ano. A b12 te sacaneia, a vitamina d te sacaneiam, o acido fólico te sacaneia, todas as suas vitaminas resolvem te sacanear, daí vc começa a fazer esquema de b12, uma puta de uma injeção que dói até a alma, isso quando você não tem reação alérgica e vai parar no hospital por conta dela...tem que mastigar um comprimido de ferro que parece que ta comendo parafuso enferrujado, seu café da manhã, vira simplesmente um copo de suco e 5 complementos vitamínicos e tem a parte psicológica, você fica irritado, depressivo, arrogante, estressado, massssssssssssssss convencido, todo mundo tem inveja, todo mundo é recalcado e todo mundo só tá perto de você por causa da sua magreza pq neste momento você é um ser magro e aí acha que é o ser mais lindo do mundo, ai perder alguns amigos, ganha alguns outros, uns casam (ainda to esperando Alisson Monteiro ser premiada rs), outros descasam (sim muitos casais pós bariatrica separam-se), vc vira a "UMA DEUSA, UMA LOUCA, UMA FEITICEIRA" se acha demais, pq tá uma porraaaaaaa de uma confusão de sentimentos na sua cabeça que você não consegue organizar, aí você vai pro psicólogo, pro psiquiatra, na igreja, na macumba, no johei, em tudo quanto é buraco tentar acertar a cabeça, masssssssssssssssssssss só o tempo vai controlar tudo isso, e pra chegar depois de alguns anos vc ouvir de um FDP que fazer bariátrica é o caminho mais fácil. Que: nossa, conheço um amigo que fez e engordou tudo de novo! Então gatos e gatas se você acha que BARIÁTRICA é uma nova forma de FAZER DIETA fica aí o meu mais sincero relato! #prontodesentalei #prontofalei

(sim, eu Tônia, estou preparada...)

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E o meu medo, de ter medo de ter medo

Não faz da minha força, confusão.

Essa semana minha mãe questionou sobre o medo da cirurgia.
É igual a zero. Não tenho medo, não to apreensiva. Nada. Participo de alguns grupos de bariátricos pelo Facebook e muita gente relata o medo.
Meu medo sempre veio de não conseguir fazer na data que pretendo, como já falei aqui, mas o medo da cirugia, não.  Não que eu esteja tão autoconfiante, afinal, sempre é cirurgia, sempre envolve risco, mas de verdade, eu não ocupo minha cabeça nem por 1 segundo sequer com as possibilidades.
Faz dois anos que tenho dores lancinantes no pescoço e ombro direito e há alguns meses 'escorrendo' para o pulso. Faz dois anos que descobri que tenho fibromialgia e que nem médicos ou cientistas sabem exatamente o que é isso. Eu só sei que dói.
Faz dois anos (mais de) que tenho dores e que elas me incomodam, me tiram o sono, o sossego, a paz e a vontade de viver algumas vezes. Mas eu não preciso lidar com hospital, não tenho uma doença grave, tenho uma saúde até que boa. Não queria que dores fossem assuntos das minhas conversas, mas elas são exatamente a minha falta de assunto.
Então, eu não penso na cirurgia. Acho que tenho um pensamento que ficarei um férias em um SPA cuidando da minha saúde e de mim, sem ter que usar meus braços pra nada.
Eu vejo a cirurgia como um alívio e não sei o quão errado isso é porque estou ciente que o pós operatório exigirá bastante de mim. Não quero ter tempo para sentir medo e depois nem haverá mais necessidade disso. 
Aliás, pra quem já teve crise de pânico, um medinho não abala hahahaha.




Uns querem um emprego, outros um amor para a vida inteira. Há quem quer casa na praia, carro importado ou ainda um convite para uma grande festa. E tem os que se contentam com a paz de espirito. Eu? eu quero a gargalhada. Rir até perder as forças. Deitar, rolar, sujar o corpo, a roupa e suar. Me entregar de alma, vísceras e coração. E se possível, voar para longe. 
Por que foi isso que o mundo me ofereceu: liberdade!!!

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Me representa


O que tenho vontade de dizer pro meu pânceps


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É blog mas é meu

Na primeira consulta com a psicologa eu falei sobre a ideia do blog. Ela gostou da ideia porque mais pessoas se identificariam e poderia haver troca de experiências, mas ela deixou bem claro que a minha cirurgia só diz respeito a mim. Eu falo para quem eu quiser e se eu quiser.
Por isso a ideia sempre foi um blog. 
Uma página no facebook seria bem mais lida, tenho certeza. Tumblr, talvez. Qualquer ferramente menos 2009 seria mais acessada.
Mas esse não é o meu objetivo. Desta vez não é o número de acessos que me importa. É sim tirar pra fora tudo aquilo que me engasga e contar um pouco de como vim parar aqui.
E poderia simplesmente escrever em Word, mas a troca de experiências já tem me ajudado. Então blog é vintage mas sou eu aqui e não me julgo por isso.
Por hora tenho falado das consultas, acho que para treinar os dedos com tudo aquilo que quero escrever até a data da cirurgia chegar.
Meu único medo no momento é não conseguir fazer a cirurgia na data que tenho previsto para depois eu ter minha recuperação. Eu quero estar, sobretudo, com a cabeça descansada quando eu finalmente for realizar a cirurgia. Não quero ficar pensando nas coisas que estou deixando de fazer, mesmo que nada vá fugir.
Eu só quero ME cuidar, sem me preocupar com o resto. Aliás, foi exatamente 'o resto' que me deixou como estou.
Todas minhas ansiedades, angústias e compulsões alimentares se deram por não conseguir olhar para mim. Foi por medo ou fraqueza (??). Mas já diz o velho ditado que o corpo sempre engorda quando a insatisfação do mundo aperta.
Para quem não sabe do que falo, é complicado escancarar. Não me importo em ouvir que 'é falta de laço', 'falta de força de vontade', realmente não me importo, mas também não quero trocar opinião com quem não faz ideia de cada lágrima que derramo por sentir fracassar diante de cada tentativa.
Só quem passa por isso ou vê de perto sabe, entende e dá a mão. Eu poderia estar decepcionada comigo, mas eu resolvi tentar mais uma vez e quantas forem necessárias.
E a cirurgia é mais uma tentativa.
E depois tem reparadora.
E depois tem silicone.
E pode ficar tudo ao avesso, mas eu estou realmente feliz por estar tentando.

Sim, tem foto na frente do espelho e com máquina digital porque aparentemente eu ainda vivo em 2009. Afinal. Eu tenho um blog!
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O cardiologista

Acredito que há pelo menos dois anos eu não ia ao cardiologista.  E como ele disse: O mais importante tu deixa por último?
Deixei por questões de horários, mas o médico é realmente um querido. Fiz o eletro antes de falar com ele, lá na clínica mesmo. Tudo ok comigo. Bom saber que alguma coisa está ok comigo.
Ele pediu agora para fazer um raio-x do torax e o exame da esteira.
Ri muito quando ele perguntou da resistência: Dr. Eu nunca tive.
Mesmo nas minhas épocas mais magras, correr ou caminhar nunca foi meu forte. Eu aguentava uma aula completinha de 'jump', mas não conseguia correr até a esquina.
Aí o médico me explicou que esse não será o problema, mas o exame é necessário para (eu não lembro, tem alguma coisa a ver com resistência porque tô jogando a lógica no assunto)... vai ficar tudo bem.
De acordo com o médico (já falei que gostei muito dele?) eu sou nova (gostei mesmo) e não tenho muito com o que me preocupar (em relação a saúde cardíaca), e que após os exames é 99% certo que eu consigo um laudo bonitinho (não foram estas palavras, mas assim que eu entendi).
O fato é que aqui estou brincando mas com coração não se brinca. Com saúde dele. Minha pressão é baixa (ele mediu e estava 10 por 6) e meu coração sempre acelerado (112 bpm - MAS EU SOU ANSIOSA). No resumo, é eu cuidar do PSICOLÓGICO que fica tudo bem.
Talvez se eu conseguisse cuidar do psicológico, eu não estava correndo atrás de consultas e de médicos, mas é por ter justamente colocado a cabeça em ordem que estou fazendo isso.
Sei que estou tendo bastante sorte na escolha dos médicos. Obrigada ao Dr. Santiago.

Cardiologista - OK
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Retornando à psicologa e o teste psicotécnico

Eu estava receosa desta consulta mais uma vez.
Questionei alguns bariátricos e todos informaram que haviam ido uma vez só, recebido o laudo após uma conversa e pronto: só entregaram ao cirurgião.
Comigo não foi assim.
Uma semana após a primeira conversa voltei lá. E sabe? Foi maravilhoso.
Eu fiz alguns testes psicotécnicos com desenhos e respondi 90 perguntas (mas juro que foi rápido).
Conversei também.
Chegou num ponto fraco em que falei do falecimento do meu avô que foi há 2 anos. Eu não sei exatamente como a conversa tomou esse rumo, mas talvez seja por isso que passei por um psicotécnico. E eu chorei.
Chorei sem medo de que isso fizesse diferença em eu poder ou não fazer a cirurgia. Não foi um choro compulsivo mas não conseguia segurar as lágrimas. Nem queria.
Acho que aquilo tava dentro do peito e precisava expor de alguma forma, mais uma vez.
E mais uma vez dei importância para esta profissional que estava sentada ali na minha frente. Ou eu sentada na frente dela.
Foi incrivelmente bom falar.
E o mais legal é que ela me convidou a vê-la quando eu sentisse a necessidade, que isso faz parte do pré-operatório e que consulta após o laudo não são cobradas.
Não é incrível?
Para mim, sim, é! Talvez eu não retorne lá até fazer a cirurgia porque de certa forma, me sinto bem atualmente.
Não estou com medo da cirurgia. Não estou ansiosa. O estresse de final de ano ainda não me pegou (e será que vai pegar?). Então é bom saber que as portas estão abertas.
Vou mostrar para vocês o motivo de eu estar fazendo a cirurgia.
A foto da esquerda foi em 2012. A foto da direita foi há 2 meses.
Dá pra notar a diferença no rosto? No corpo. Na saúde.
Eu não me reconheço mais.
Eu aprendi a me maquiar sem usar espelho. Eu não sei exatamente quais são os tamanhos de roupas que uso, e MEUDEUS, como é difícil encontrar uma roupa legal. Aliás, eu nem encontro.
E entendi na psicologa exatamente isso: vou buscar me reconhecer, me olhar no espelho e ver que eu tenho valor.
Com ou sem gordura.
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A endocrinologista

De todas as consultas, a com a endocrinologista foi a que menos curti. Isso porque minha saúde (falta de) ficou  bastante em evidência.
Eu tenho deficiência de vitamina D, o que aparentemente é nada alarmante, porém, é o que dá a calcificação aos ossos e, num pós operatório isso é importante estar OK. Como não estou, reposição de vitamina D imediata.
Tenho problemas com triglicerídeos desde criança, mas como eu estou nessa fase de superação, superei qualquer índice alto para um muito alto e, assim, medicamento para baixar, dietinha com diminuição de carboidratos e foco.
Além disso, pelo fato de não comer carne, para eu não sofrer tanto os efeitos da cirurgia, já estou tendo que repor proteínas desde já também. Isso é tranquilo, não é medicação e sim um produto natural em pó que mistura até mesmo na água com uma fruta e substitui um lanche da tarde, por exemplo.
Daqui 1 mês volto lá com novos exames. Não dá pra dizer que fiquei feliz por focar na saúde porque no primeiro momento eu pensei no tempo "perdido" para o encaminhamento da cirurgia, já que pretendo fazê-la em dezembro.
Eu saí da consulta meio desgarrada, MAS né? Nenhum médico de confiança seria negligente o suficiente de me mandar a fazer uma cirurgia - que não é exatamente simples - sem ter condições mínimas de saúde. Se meu foco para fazer a cirurgia é justamente recuperar minha saúde, o pré-operatório deve ser levado bem a sério também.
3 dias depois comprei os remédios e a proteína, onde comecei a usar de imediato. E agora é colocar na cabeça que realmente só depende de mim para conseguir este laudo com a endocrinologista. Seu eu não fazer os triglicerídeos baixar (e pra isso devo moderar muito o consumo de carboidrato e dar uma sacudida no esqueleto) eu não vou nem poder cogitar em fazer a cirurgia na data que pretendo. Mas se eu levar a sério, fazer aquele esforcinho, vai ser maravilhoso e será determinante para o pós operatório.
A parte ruim de tudo isso é que as pessoas ficam jogando na tua cara que depende de ti, e esperam de ti e acham que é o mínimo de força de vontade para conseguir, mas não levam em consideração que o cérebro sente vontades. E isso sei que é bastante difícil no pós operatório porque o cérebro vai lembrar que chocolate é bom, que lasanha é uma delícia e etc... Mas sim, vai ter que vir de mim todos os nãos a serem dados.
Quando eu saí da consulta da endócrino, saí decidida a levar a dieta a sério. Como almoço em restaurante servi um prato repleto de saladas, 1 carbo e 1 proteína. Sobremesa: Frutas.
Servi uma pequena fatia de melancia, manga, melão, e um delicioso pastel de banana com doce de leite. Não é maravilhoso? Deveria ser se não fosse essa pequena sabotagem mas tão significativa pra quem quer um recomeço.
Eu entendi que a partir de então seria um exercício psicológico diário. Já fiz milhares de dietas na vida. Já fui em pelo menos 10 endocrinologistas nos últimos anos e, infelizmente, não existe uma fórmula mágica.
Sempre digo que os resultados anteriores foram positivos, mas isso é uma forma de mentir para mim e para qualquer outro que me acompanha.
Com a sibutramina eu emagreci 18kg, mas o resultado de tomar sibutramina foi ter engordado 36kg. Eu emagreci os 18kg, recuperei, e engordei ainda mais 18kg. Não houve manutenção de peso. Meu cérebro exigiu que eu comesse, e eu obedeci comendo até minha alma, e principalmente minha autoestima.
Desde o momento que decidi fazer a bariátrica, todo dia é um recomeço. E vai ser assim todos os dias até saúde se tornar rotina. E sei que vai demorar 2,3... sei lá quantos anos.
Mas o mais importante: não desistir!
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Primeiras Consultas

Quando eu decidi fazer a cirurgia eu chorei muito. Já vinha com algumas situações particulares desgastantes onde acabei ficando bastante introspectiva.
Meu choro era por me sentir fracassada. Já tentei tantas vezes e havia dado certo, eu realmente emagrecia, mas agora eu não estava conseguindo, me sentia ansiosa pela balança não se mexer e, assim, decidi.
Contei pra minha mãe e ao meu namorado. 2 ou 3 amigos também ficaram sabendo. E só.
Entrei em grupos do facebook procurando indicações de médicos, fui fazer pesquisa e, finalmente, consegui marcar a primeira consulta com o cirurgião. Aliás, eu nem sabia que era com o cirurgião primeiro, pensei que algum outro médico que me encaminharia a ele. Fui bem mal atendida em algumas clínicas justamente por esta minha ignorância.
Será que só eu não sabia?
Mas encontrei um por sugestão de uma amiga. 

* O Cirurgião *
A consulta foi de 45min onde os primeiros 20 min só eu falei. Falei. Falei. Enchi os olhos d'água. Contei que não me sentia feliz em estar ali mas que precisava de um recomeço.
Tudo o que eu temia se esvaiu em minutos. Eu senti uma segurança tão grande com o cirurgião. Primeiro porque ele me fez entender que tudo o que eu sentia era normal mas que não havia necessidade daquilo. A cirurgia não é um milagre, mas um auxílio mais eficaz do que medicamentos, por exemplo. Aliás, ele me convenceu que se fosse minha vontade, a cirurgia seria o AUXÍLIO mais eficaz. 
Conversamos sobre passado (a ansiedade), presente (as dores) e o futuro (recomeço) e ele me explicou toda a função da equipe multidisciplinar que deverão me dar os laudos para enfim realizar a cirurgia.
A equipe multidisciplinar é composta por Nutricionista, Psicologa, Endócrino e, ainda, Cardiologista.
Além disso, ele já repassou a requisição de exames (sangue, urina, endoscopia e ecografia) que seriam interessantes já levar nas consultas com a equipe.
Saí da consulta com uma sensação de liberdade e de que tem tudo para dar certo se eu focar. E vi que não era vergonha nenhuma e que eu não precisava esconder de ninguém, mesmo que seja uma situação tão particular e que só eu mesma sei onde o sapato aperta.
Mesmo sendo uma decisão recente, não vejo problemas em falar sobre ela. Eu só quero uma nova chance de não sentir mais dores no corpo e de voltar a algumas atividades, além de voltar a me olhar no espelho e reconhecer o que estou refletindo.

* A psicologa *
Confesso que tive medo dessa consulta porque eu sei que iria ter que falar sobre meus fracassos e sobre alguma doença. Teria que contar sobre crises de ansiedade e pânico que tive. Teria que ser sincera e falar que uso antidepressivos e talvez isso tudo fosse um empecilho para a cirurgia.
Eu entrei na consulta já me sentindo em casa. Incomodada por ficar sentada em um sofá, sem uma mesa na frente para esconder meu corpo, mas respirei fundo e mais uma vez falei tudo. Tive dificuldades pra citar minhas qualidades e comecei a pensar onde foi que eu me perdi.
Mas, talvez eu realmente esteja me buscando, ou seja lá o que for. Sei que irei retornar la na semana que vem e me sinto bem ok sobre isso. Me sinto preparada para as dificuldades que sei que terei: a perda de cabelo, a alimentação líquida dos primeiros dias ou mês, o repouso, e o recomeçar. 
E sim, acredito que precisarei do apoio psicologico. Aliás, dou suma importância a tal apoio porque em rápida pesquisa com bariátricos se pode verificar o número daqueles que engordam tudo de novo e mais um pouco, além de não se reconhecerem magros. É normal? Sim, mas uma orientação psicológica ensina a conviver com as adversidades pós cirurgia.
Agora semana que vem retorno lá para mais uma avaliação e, talvez, algum teste. Fico meio ansiosa para ter esse OK, mas nada que me tire o sono. Haha. 
Em frente!

* A nutricionista *
Já cheguei super a vontade nessa consulta porque eu não tinha o que esconder. Sabia das alterações que apareceram nos exames e sabia que se alguém iria realmente me ajudar, este alguém seria a nutricionista. Aliás, é ela. 
Não é muito legal essa coisa de pesos e medidas, mas foi tão descontraído que nem senti. Ela me deixou claro que seria minha melhor amiga e que se eu fracassasse, ela também estava fracassando no trabalho dela e nós não queremos isso.
Ela conversou sobre o momento da dieta líquida, da reposição de vitaminas, da lista de compras pós operatório, da dieta e da reeducação alimentar. Falou também de quando o peso estacionar e de mudanças de estratégias. 
Da equipe toda, meu contato com ela será o mais longo de todos, muito provavelmente por mais de um ano após a cirurgia e, de certa forma, isso me conforta porque eu sei que preciso dessa vigilância e do conselho.
Não como carne, então as fontes de proteínas terão que estar sempre em evidência, afinal, emagrecer é maravilhoso, mas se desnutrir é diretamente o inverso.
Meu foco é, primeiramente, saúde. E pode parecer hipocrisia porque se olhar no espelho e gostar do que vê deve ser realmente muito bom, mas eu não gosto de conviver com as dores que sinto e as limitações que tenho. 
Deveria servir de motivação para eu emagrecer sem cirurgia?
Olha, jovem! A vida não é esse teu morango mas ainda bem que a medicina evoluiu a ponto de caminhar conosco.
Dá a mão aqui!


*Proximas consultas*
Reconsulta com a psicologa
Cardiologista
Cirurgião para levar as boas novas.
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Por que cirurgia?

Porque sim.
Eu ainda vejo várias alternativas para mim, mas não vejo a eficiência de nenhuma no meu atual estado de saúde e, principalmente, mental.

Sabe autoestima? Então me conte porque eu não sei. Faz muito tempo que não nos encontramos. Faz muito tempo que eu não faço ideia do que estou refletindo no espelho, faz muito tempo que choro quando tenho que pensar em mim.

Mas sabe, o cérebro é uma coisa engraçada, porque sabe o que toda essa tristeza/ansiedade me faz? Comer. Depois vem o arrependimento. A raiva. A tristeza e... comer.

Parece ridículo, mas é impensado. Quando eu percebo já foi. Lembro-me numa dessas guerras contra a balança eu ter comido um pedaço considerável de goiabada que minha mãe tinha comprado. Dei fim na goiabada. Não seria um problema tão estranho se não fosse o fato de eu detestar goiabada. Nunca em sã consciência eu experimentaria.

Eu já usei agulha nas orelhas para diminuir a ansiedade. Funcionou! Emagreci 13kg em 2 meses, lá em 2004 quando eu tinha 17 anos. Não foi minha primeira dieta, mas foi a que mais vi resultado. Na época eu também diminuí drasticamente o consumo de carboidratos. No final dos dois meses, cada vez que eu tinha que ir ao médico eu chorava com medo de enfrentar a balança, medo de ter engordado, medo.
Desisti.
Dentro do mesmo ano eu já tinha engordado os 13kg e no ano seguinte mais 15.

Em 2011 fiz outra dieta com uso de medicação. Nesses 7 anos entre 2004 e 2011 eu já tinha tentado de tudo. Em 2011 finalmente fiz reeducação alimentar, porém, o médico me receitou a sibutramina. E AI MEU DEUS, como deu errado. Emagreci 18kg em 3 meses, mas o final foi  esse:

ME RALEI COM SIBUTRAMINA  <--- isso é um link

Espero que o link ainda esteja funcionando porque eu nunca tive coragem de assistir essa entrevista. Lembro que uma repórter do Bem Estar (Globo) me contatou via e-mail porque encontrou um texto meu pela internet e na evolução, dei essa entrevista. Eu nunca assisti por medo de me ver na tela. Na época eu tinha 30kg a menos do que tenho hoje e já detestava me ver.

Aí depois minha vida foi ladeira abaixo em alguns sentidos. Tive depressão, crise de pânico, crise de ansiedade, e como boa pessoa que sou, descontei na comida porque seres humanos não merecem minhas frustrações.

Também deixei de comer carne e meu estômago simplesmente esqueceu o que significa saciedade. (Isso vai ser matéria de outro texto. E deixar de comer carne foi uma das decisões que mais me orgulho de ter feito).

Então, antes de me desesperar, me frustrar e me sentir pior, eu decidi me dar mais uma chance. Aliás, mesmo em minhas crises depressivas eu NUNCA pensei em suicídio, eu só queria ser diferente do que era e sei bem o quanto isso é errado. Mas me conhecendo, sei que preciso de decisões drásticas para poder dar um rumo e efetivamente mudar. Decidi, portanto, fazer cirurgia bariátrica.

Não estou com medo.
Não estou pensando se perderei cabelo.
Não estou pensando em o que pode dar errado.

Eu estou pensando que terei que dar o melhor de mim.
Penso que fazer uma cirurgia é uma decisão bastante difícil e que isso, pra quem não precisa, é visto como 'falta de força de vontade' e pra quem está do lado de cá é uma dor do tipo tapa na cara.
Penso que vou conseguir voltar a fazer muita coisa que gostaria de fazer hoje.

Sei que se não cuidar eu posso engordar tudo de novo. Posso colocar tudo a perder. Sei que o índice de pessoas que engordam novamente é alarmante. Sei de todos os contras.

Mas os prós são tão melhores. Saúde. Disposição. Respiração. Não conviver com tantas dores e: autoestima.

Estes são os meus porquês.
Já fui na 1ª consulta com o cirurgião onde ele me encaminhou para os exames e para a equipe médica (nutricionista, psicologa, cardiologista e endocrinologista) e para quem quiser me acompanhar, estará tudo aqui.

Bem-vindos!

E que venham os novos dias. E que venha a nova vida!
 
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