0

E o meu medo, de ter medo de ter medo

Não faz da minha força, confusão.

Essa semana minha mãe questionou sobre o medo da cirurgia.
É igual a zero. Não tenho medo, não to apreensiva. Nada. Participo de alguns grupos de bariátricos pelo Facebook e muita gente relata o medo.
Meu medo sempre veio de não conseguir fazer na data que pretendo, como já falei aqui, mas o medo da cirugia, não.  Não que eu esteja tão autoconfiante, afinal, sempre é cirurgia, sempre envolve risco, mas de verdade, eu não ocupo minha cabeça nem por 1 segundo sequer com as possibilidades.
Faz dois anos que tenho dores lancinantes no pescoço e ombro direito e há alguns meses 'escorrendo' para o pulso. Faz dois anos que descobri que tenho fibromialgia e que nem médicos ou cientistas sabem exatamente o que é isso. Eu só sei que dói.
Faz dois anos (mais de) que tenho dores e que elas me incomodam, me tiram o sono, o sossego, a paz e a vontade de viver algumas vezes. Mas eu não preciso lidar com hospital, não tenho uma doença grave, tenho uma saúde até que boa. Não queria que dores fossem assuntos das minhas conversas, mas elas são exatamente a minha falta de assunto.
Então, eu não penso na cirurgia. Acho que tenho um pensamento que ficarei um férias em um SPA cuidando da minha saúde e de mim, sem ter que usar meus braços pra nada.
Eu vejo a cirurgia como um alívio e não sei o quão errado isso é porque estou ciente que o pós operatório exigirá bastante de mim. Não quero ter tempo para sentir medo e depois nem haverá mais necessidade disso. 
Aliás, pra quem já teve crise de pânico, um medinho não abala hahahaha.




Uns querem um emprego, outros um amor para a vida inteira. Há quem quer casa na praia, carro importado ou ainda um convite para uma grande festa. E tem os que se contentam com a paz de espirito. Eu? eu quero a gargalhada. Rir até perder as forças. Deitar, rolar, sujar o corpo, a roupa e suar. Me entregar de alma, vísceras e coração. E se possível, voar para longe. 
Por que foi isso que o mundo me ofereceu: liberdade!!!

0

Me representa


O que tenho vontade de dizer pro meu pânceps


0

É blog mas é meu

Na primeira consulta com a psicologa eu falei sobre a ideia do blog. Ela gostou da ideia porque mais pessoas se identificariam e poderia haver troca de experiências, mas ela deixou bem claro que a minha cirurgia só diz respeito a mim. Eu falo para quem eu quiser e se eu quiser.
Por isso a ideia sempre foi um blog. 
Uma página no facebook seria bem mais lida, tenho certeza. Tumblr, talvez. Qualquer ferramente menos 2009 seria mais acessada.
Mas esse não é o meu objetivo. Desta vez não é o número de acessos que me importa. É sim tirar pra fora tudo aquilo que me engasga e contar um pouco de como vim parar aqui.
E poderia simplesmente escrever em Word, mas a troca de experiências já tem me ajudado. Então blog é vintage mas sou eu aqui e não me julgo por isso.
Por hora tenho falado das consultas, acho que para treinar os dedos com tudo aquilo que quero escrever até a data da cirurgia chegar.
Meu único medo no momento é não conseguir fazer a cirurgia na data que tenho previsto para depois eu ter minha recuperação. Eu quero estar, sobretudo, com a cabeça descansada quando eu finalmente for realizar a cirurgia. Não quero ficar pensando nas coisas que estou deixando de fazer, mesmo que nada vá fugir.
Eu só quero ME cuidar, sem me preocupar com o resto. Aliás, foi exatamente 'o resto' que me deixou como estou.
Todas minhas ansiedades, angústias e compulsões alimentares se deram por não conseguir olhar para mim. Foi por medo ou fraqueza (??). Mas já diz o velho ditado que o corpo sempre engorda quando a insatisfação do mundo aperta.
Para quem não sabe do que falo, é complicado escancarar. Não me importo em ouvir que 'é falta de laço', 'falta de força de vontade', realmente não me importo, mas também não quero trocar opinião com quem não faz ideia de cada lágrima que derramo por sentir fracassar diante de cada tentativa.
Só quem passa por isso ou vê de perto sabe, entende e dá a mão. Eu poderia estar decepcionada comigo, mas eu resolvi tentar mais uma vez e quantas forem necessárias.
E a cirurgia é mais uma tentativa.
E depois tem reparadora.
E depois tem silicone.
E pode ficar tudo ao avesso, mas eu estou realmente feliz por estar tentando.

Sim, tem foto na frente do espelho e com máquina digital porque aparentemente eu ainda vivo em 2009. Afinal. Eu tenho um blog!
0

O cardiologista

Acredito que há pelo menos dois anos eu não ia ao cardiologista.  E como ele disse: O mais importante tu deixa por último?
Deixei por questões de horários, mas o médico é realmente um querido. Fiz o eletro antes de falar com ele, lá na clínica mesmo. Tudo ok comigo. Bom saber que alguma coisa está ok comigo.
Ele pediu agora para fazer um raio-x do torax e o exame da esteira.
Ri muito quando ele perguntou da resistência: Dr. Eu nunca tive.
Mesmo nas minhas épocas mais magras, correr ou caminhar nunca foi meu forte. Eu aguentava uma aula completinha de 'jump', mas não conseguia correr até a esquina.
Aí o médico me explicou que esse não será o problema, mas o exame é necessário para (eu não lembro, tem alguma coisa a ver com resistência porque tô jogando a lógica no assunto)... vai ficar tudo bem.
De acordo com o médico (já falei que gostei muito dele?) eu sou nova (gostei mesmo) e não tenho muito com o que me preocupar (em relação a saúde cardíaca), e que após os exames é 99% certo que eu consigo um laudo bonitinho (não foram estas palavras, mas assim que eu entendi).
O fato é que aqui estou brincando mas com coração não se brinca. Com saúde dele. Minha pressão é baixa (ele mediu e estava 10 por 6) e meu coração sempre acelerado (112 bpm - MAS EU SOU ANSIOSA). No resumo, é eu cuidar do PSICOLÓGICO que fica tudo bem.
Talvez se eu conseguisse cuidar do psicológico, eu não estava correndo atrás de consultas e de médicos, mas é por ter justamente colocado a cabeça em ordem que estou fazendo isso.
Sei que estou tendo bastante sorte na escolha dos médicos. Obrigada ao Dr. Santiago.

Cardiologista - OK
0

Retornando à psicologa e o teste psicotécnico

Eu estava receosa desta consulta mais uma vez.
Questionei alguns bariátricos e todos informaram que haviam ido uma vez só, recebido o laudo após uma conversa e pronto: só entregaram ao cirurgião.
Comigo não foi assim.
Uma semana após a primeira conversa voltei lá. E sabe? Foi maravilhoso.
Eu fiz alguns testes psicotécnicos com desenhos e respondi 90 perguntas (mas juro que foi rápido).
Conversei também.
Chegou num ponto fraco em que falei do falecimento do meu avô que foi há 2 anos. Eu não sei exatamente como a conversa tomou esse rumo, mas talvez seja por isso que passei por um psicotécnico. E eu chorei.
Chorei sem medo de que isso fizesse diferença em eu poder ou não fazer a cirurgia. Não foi um choro compulsivo mas não conseguia segurar as lágrimas. Nem queria.
Acho que aquilo tava dentro do peito e precisava expor de alguma forma, mais uma vez.
E mais uma vez dei importância para esta profissional que estava sentada ali na minha frente. Ou eu sentada na frente dela.
Foi incrivelmente bom falar.
E o mais legal é que ela me convidou a vê-la quando eu sentisse a necessidade, que isso faz parte do pré-operatório e que consulta após o laudo não são cobradas.
Não é incrível?
Para mim, sim, é! Talvez eu não retorne lá até fazer a cirurgia porque de certa forma, me sinto bem atualmente.
Não estou com medo da cirurgia. Não estou ansiosa. O estresse de final de ano ainda não me pegou (e será que vai pegar?). Então é bom saber que as portas estão abertas.
Vou mostrar para vocês o motivo de eu estar fazendo a cirurgia.
A foto da esquerda foi em 2012. A foto da direita foi há 2 meses.
Dá pra notar a diferença no rosto? No corpo. Na saúde.
Eu não me reconheço mais.
Eu aprendi a me maquiar sem usar espelho. Eu não sei exatamente quais são os tamanhos de roupas que uso, e MEUDEUS, como é difícil encontrar uma roupa legal. Aliás, eu nem encontro.
E entendi na psicologa exatamente isso: vou buscar me reconhecer, me olhar no espelho e ver que eu tenho valor.
Com ou sem gordura.
0

A endocrinologista

De todas as consultas, a com a endocrinologista foi a que menos curti. Isso porque minha saúde (falta de) ficou  bastante em evidência.
Eu tenho deficiência de vitamina D, o que aparentemente é nada alarmante, porém, é o que dá a calcificação aos ossos e, num pós operatório isso é importante estar OK. Como não estou, reposição de vitamina D imediata.
Tenho problemas com triglicerídeos desde criança, mas como eu estou nessa fase de superação, superei qualquer índice alto para um muito alto e, assim, medicamento para baixar, dietinha com diminuição de carboidratos e foco.
Além disso, pelo fato de não comer carne, para eu não sofrer tanto os efeitos da cirurgia, já estou tendo que repor proteínas desde já também. Isso é tranquilo, não é medicação e sim um produto natural em pó que mistura até mesmo na água com uma fruta e substitui um lanche da tarde, por exemplo.
Daqui 1 mês volto lá com novos exames. Não dá pra dizer que fiquei feliz por focar na saúde porque no primeiro momento eu pensei no tempo "perdido" para o encaminhamento da cirurgia, já que pretendo fazê-la em dezembro.
Eu saí da consulta meio desgarrada, MAS né? Nenhum médico de confiança seria negligente o suficiente de me mandar a fazer uma cirurgia - que não é exatamente simples - sem ter condições mínimas de saúde. Se meu foco para fazer a cirurgia é justamente recuperar minha saúde, o pré-operatório deve ser levado bem a sério também.
3 dias depois comprei os remédios e a proteína, onde comecei a usar de imediato. E agora é colocar na cabeça que realmente só depende de mim para conseguir este laudo com a endocrinologista. Seu eu não fazer os triglicerídeos baixar (e pra isso devo moderar muito o consumo de carboidrato e dar uma sacudida no esqueleto) eu não vou nem poder cogitar em fazer a cirurgia na data que pretendo. Mas se eu levar a sério, fazer aquele esforcinho, vai ser maravilhoso e será determinante para o pós operatório.
A parte ruim de tudo isso é que as pessoas ficam jogando na tua cara que depende de ti, e esperam de ti e acham que é o mínimo de força de vontade para conseguir, mas não levam em consideração que o cérebro sente vontades. E isso sei que é bastante difícil no pós operatório porque o cérebro vai lembrar que chocolate é bom, que lasanha é uma delícia e etc... Mas sim, vai ter que vir de mim todos os nãos a serem dados.
Quando eu saí da consulta da endócrino, saí decidida a levar a dieta a sério. Como almoço em restaurante servi um prato repleto de saladas, 1 carbo e 1 proteína. Sobremesa: Frutas.
Servi uma pequena fatia de melancia, manga, melão, e um delicioso pastel de banana com doce de leite. Não é maravilhoso? Deveria ser se não fosse essa pequena sabotagem mas tão significativa pra quem quer um recomeço.
Eu entendi que a partir de então seria um exercício psicológico diário. Já fiz milhares de dietas na vida. Já fui em pelo menos 10 endocrinologistas nos últimos anos e, infelizmente, não existe uma fórmula mágica.
Sempre digo que os resultados anteriores foram positivos, mas isso é uma forma de mentir para mim e para qualquer outro que me acompanha.
Com a sibutramina eu emagreci 18kg, mas o resultado de tomar sibutramina foi ter engordado 36kg. Eu emagreci os 18kg, recuperei, e engordei ainda mais 18kg. Não houve manutenção de peso. Meu cérebro exigiu que eu comesse, e eu obedeci comendo até minha alma, e principalmente minha autoestima.
Desde o momento que decidi fazer a bariátrica, todo dia é um recomeço. E vai ser assim todos os dias até saúde se tornar rotina. E sei que vai demorar 2,3... sei lá quantos anos.
Mas o mais importante: não desistir!
2

Primeiras Consultas

Quando eu decidi fazer a cirurgia eu chorei muito. Já vinha com algumas situações particulares desgastantes onde acabei ficando bastante introspectiva.
Meu choro era por me sentir fracassada. Já tentei tantas vezes e havia dado certo, eu realmente emagrecia, mas agora eu não estava conseguindo, me sentia ansiosa pela balança não se mexer e, assim, decidi.
Contei pra minha mãe e ao meu namorado. 2 ou 3 amigos também ficaram sabendo. E só.
Entrei em grupos do facebook procurando indicações de médicos, fui fazer pesquisa e, finalmente, consegui marcar a primeira consulta com o cirurgião. Aliás, eu nem sabia que era com o cirurgião primeiro, pensei que algum outro médico que me encaminharia a ele. Fui bem mal atendida em algumas clínicas justamente por esta minha ignorância.
Será que só eu não sabia?
Mas encontrei um por sugestão de uma amiga. 

* O Cirurgião *
A consulta foi de 45min onde os primeiros 20 min só eu falei. Falei. Falei. Enchi os olhos d'água. Contei que não me sentia feliz em estar ali mas que precisava de um recomeço.
Tudo o que eu temia se esvaiu em minutos. Eu senti uma segurança tão grande com o cirurgião. Primeiro porque ele me fez entender que tudo o que eu sentia era normal mas que não havia necessidade daquilo. A cirurgia não é um milagre, mas um auxílio mais eficaz do que medicamentos, por exemplo. Aliás, ele me convenceu que se fosse minha vontade, a cirurgia seria o AUXÍLIO mais eficaz. 
Conversamos sobre passado (a ansiedade), presente (as dores) e o futuro (recomeço) e ele me explicou toda a função da equipe multidisciplinar que deverão me dar os laudos para enfim realizar a cirurgia.
A equipe multidisciplinar é composta por Nutricionista, Psicologa, Endócrino e, ainda, Cardiologista.
Além disso, ele já repassou a requisição de exames (sangue, urina, endoscopia e ecografia) que seriam interessantes já levar nas consultas com a equipe.
Saí da consulta com uma sensação de liberdade e de que tem tudo para dar certo se eu focar. E vi que não era vergonha nenhuma e que eu não precisava esconder de ninguém, mesmo que seja uma situação tão particular e que só eu mesma sei onde o sapato aperta.
Mesmo sendo uma decisão recente, não vejo problemas em falar sobre ela. Eu só quero uma nova chance de não sentir mais dores no corpo e de voltar a algumas atividades, além de voltar a me olhar no espelho e reconhecer o que estou refletindo.

* A psicologa *
Confesso que tive medo dessa consulta porque eu sei que iria ter que falar sobre meus fracassos e sobre alguma doença. Teria que contar sobre crises de ansiedade e pânico que tive. Teria que ser sincera e falar que uso antidepressivos e talvez isso tudo fosse um empecilho para a cirurgia.
Eu entrei na consulta já me sentindo em casa. Incomodada por ficar sentada em um sofá, sem uma mesa na frente para esconder meu corpo, mas respirei fundo e mais uma vez falei tudo. Tive dificuldades pra citar minhas qualidades e comecei a pensar onde foi que eu me perdi.
Mas, talvez eu realmente esteja me buscando, ou seja lá o que for. Sei que irei retornar la na semana que vem e me sinto bem ok sobre isso. Me sinto preparada para as dificuldades que sei que terei: a perda de cabelo, a alimentação líquida dos primeiros dias ou mês, o repouso, e o recomeçar. 
E sim, acredito que precisarei do apoio psicologico. Aliás, dou suma importância a tal apoio porque em rápida pesquisa com bariátricos se pode verificar o número daqueles que engordam tudo de novo e mais um pouco, além de não se reconhecerem magros. É normal? Sim, mas uma orientação psicológica ensina a conviver com as adversidades pós cirurgia.
Agora semana que vem retorno lá para mais uma avaliação e, talvez, algum teste. Fico meio ansiosa para ter esse OK, mas nada que me tire o sono. Haha. 
Em frente!

* A nutricionista *
Já cheguei super a vontade nessa consulta porque eu não tinha o que esconder. Sabia das alterações que apareceram nos exames e sabia que se alguém iria realmente me ajudar, este alguém seria a nutricionista. Aliás, é ela. 
Não é muito legal essa coisa de pesos e medidas, mas foi tão descontraído que nem senti. Ela me deixou claro que seria minha melhor amiga e que se eu fracassasse, ela também estava fracassando no trabalho dela e nós não queremos isso.
Ela conversou sobre o momento da dieta líquida, da reposição de vitaminas, da lista de compras pós operatório, da dieta e da reeducação alimentar. Falou também de quando o peso estacionar e de mudanças de estratégias. 
Da equipe toda, meu contato com ela será o mais longo de todos, muito provavelmente por mais de um ano após a cirurgia e, de certa forma, isso me conforta porque eu sei que preciso dessa vigilância e do conselho.
Não como carne, então as fontes de proteínas terão que estar sempre em evidência, afinal, emagrecer é maravilhoso, mas se desnutrir é diretamente o inverso.
Meu foco é, primeiramente, saúde. E pode parecer hipocrisia porque se olhar no espelho e gostar do que vê deve ser realmente muito bom, mas eu não gosto de conviver com as dores que sinto e as limitações que tenho. 
Deveria servir de motivação para eu emagrecer sem cirurgia?
Olha, jovem! A vida não é esse teu morango mas ainda bem que a medicina evoluiu a ponto de caminhar conosco.
Dá a mão aqui!


*Proximas consultas*
Reconsulta com a psicologa
Cardiologista
Cirurgião para levar as boas novas.
 
Voltar ao Topo da Página