Em meio a uma quarta-feira ansiosa para todos os gremistas que, assim como eu, esperavam pela final da Copa do Brasil, eu recebo um telefonema às 18:45 com a seguinte informação:
- Tônia, tua cirurgia teve que ser remarcada (AIMEUDEUS), na verdade, adiantada (SOCORRO), ficou para segunda-feira, dia 12.
- QUANDO? COMO? AGORA?
Bom, o resumo da ópera foi esse. Eu tremia e não conseguia ligar para meu chefe para informar a situação e ver o que faríamos. Depois, não conseguia ligar para minha mãe dizer que ela precisava antecipar a vinda dela. Depois disso eu decidi: Não quero falar de cirurgia hoje.
Pintei a cara nas cores do meu Grêmio. Juntei os amigos e #partiuGoethe. Eu pensava tanto nisso quando eu era adolescente, de ver os gremistas na Goethe, pensava se era perigoso mas queria estar lá. Era tão distante pra quem morava no interior do estado. E naquele momento eu estava ali, junto de não sei quantos mil torcedores, batendo records, sendo CAMPEÕES.
Consegui dormir já passava às 4h da manhã. Só pensando em Grêmio, em alegria no meio desse ano bem bosta de 2016. Conseguindo acender uma alegria depois de uma semana tão dolorida com nossa irmã caçula, Chape. Eu vi um Grêmio que há tanto não via. Os torcedores, a risada, o choro e qualquer piadinha se tornou tão irrelevante. De cheiro de mofo, de o que for, porque é tudo tão novo da mesma forma de sempre. Foi uma alegria sem fim.
Voltando a minha realidade, manhã de trabalho com difícil concentração. Por vezes falava pra mim: VAMOS LÁ, TÔNIA. E enfim, voltei a cirurgia.
Não tenho muito o que pensar até conversar com o médico e tirar minhas 859 dúvidas. Sei que segunda-feira, às 6h estarei indo para o hospital para às 7:30 entrar para a cirurgia.
Hoje vou à clínica resolver pendências e entregar termo de consentimento.
Na verdade, eu não sinto ansiedade agora, não tenho medo. Talvez sinta um frio na barriga a caminho do hospital, mas como já falei reiteradas vezes para quem me conhece, eu tô fazendo isso pela minha saúde porque aparentemente, cheguei no meu limite e sim, eu não aguento mais.
DORES, eu não aguento mais sentir dores por conta do peso. Nas costas, nos joelhos, nos pés, na consciência e na vida.
Eu não aguento mais sentir vergonha e fingir que está tudo bem. É como se todo dia eu acordasse e fosse uma mentira pra contar.
A bariátrica não é uma cirurgia apenas, é um tratamento e quem passa sabe o quanto exige de cada um. Então eu sei que daqui 5 (CINCO) dias, minha vida vai mudar e eu queria dividir com vocês o quanto estou feliz com isso.
Obrigada, dezembro!


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