Dia 11/11 acho que foi o dia que eu mais ansiava antes de retornar ao cirurgião. Era a reconsulta com a endocrinologista para levar os novos exames de sangue.
Eu baixei consideravelmente o triglicerídeos e aumentei bastante a vitamina D, mas eu não sabia se era o suficiente para ela me dar o laudo. Eu tentei muito não ficar ansiosa, ou mais ansiosa que o meu normal.
Quando cheguei, ela me abraçou, riu comigo, olhou meus exames e falou sério: Agora vou te dar o laudo, mas é importante tu continuar o tratamento até a data da cirurgia para quando chegar lá estar ainda melhor do que agora, para não sofrer tanto qualquer efeito que possa dar, mas risco você não corre.
Ela escrevia o laudo e eu não sabia se chorava ou se ria, de tão feliz que eu fiquei. Saí de lá com vontade de virar estrelinhas e dar pulinhos, mesmo sabendo que foi só uma etapa, a de conseguir todos os laudos.
E eu consegui todos os laudos.
Assim que saí da consulta, me encaminhei para a recepção para marcar, finalmente, a reconsulta com o cirurgião. Será dia 23/11 e a perícia no plano de saúde será dia 24/11. Conversei um pouquinho com a coordenadora da clínica sobre minha situação, que eu gostaria muito de fazer a cirurgia no dia 19/12, por ser o início das minhas férias...
- Dia 19/12 é a única data que ainda temos para 2016.
Eu quase infartei. Não sabia ainda se era muita sorte ou muito azar e hoje, 8 dias depois, eu ainda não sei. Mais uma vez estou respirando e contando até 10 para não me sentir ansiosa, para dar tudo certo com o cirurgião e com a perícia e finalmente ver o dia 19 agendado para mim. Infelizmente sem a autorização do plano não há como reservar a data.
Mas, é naquelas, eu faço tratamento para ansiedade desde meus 17 anos, já fiz todos os tipos de tratamento, e se eu não usar a ansiedade a meu favor, ela vira o teu monstro do armário e tudo o que menos preciso nesse momento, é ter um incômodo.
Nesse pensamento, eu não tive mais as dores terríveis da gastrite. Milagrosamente ela deu um tempo pra mim. Também não tive mais choros que eram muito recorrentes na hora de dormir. Então eu vi que ansiar tanto para conseguir fazer na data que tanto quero, não vai me ajudar. Quando chegar o dia 19, eu vou ter que viver aquele dia, com ou sem a cirurgia, então eu prefiro deixar pra pensar no que fazer somente lá.
É simples assim? Nenhum pouco. Se eu pudesse eu estaria surtando, jogando no facebook todo meu desespero, culpando o mundo e a vida e a quem quer que passasse na minha frente que eu não posso controlar o tempo, mas já tive provas suficientes que isso não muda nada.
E aliás, não tenho mais paciência para pessoas assim.
Acompanho grupos de facebook de bariátricos e pré-bariátricos de todo o Brasil, e um dos depoimentos que mais gostei foi de uma mulher que disse estar aguardando consulta no cardiologista, quando uma senhora sentada ao seu lado questionou se ela faria bariátrica e seguiu o seguinte diálogo:
- Está preparada?
- Sim
- Eu fiz bariátrica faz 10 anos. Tive choque anafilático, fiquei na UTI e depois tive um problema que sangrei muito. Quer saber? Eu faria tudo de novo!
É disso que me refiro: otimismo.
Nós precisamos ser um pouco de Pollyana Moça e fazer o jogo do contente diário. Todos os dias precisamos ser otimistas porque a mudança na vida é muito grande, mas é como contar uma nova data de renascimento.
Dia 18 de dezembro tem sido uma data muito importante pra mim ao longo dos anos. Eu me formei no ensino médio nesta data. Eu me formei na faculdade nesta data. Aparentemente baixarei hospital pra dar a luz a uma nova Tônia, nesta mesma data. Prefiro não desprezar que a vida pode ser maravilhosa.
Se não for assim, tudo bem. A cirurgia terá que acontecer em um outro momento que eu ainda não foquei porque acredito que não necessito. Se acontecer, vou puxar o fôlego e focarei.
Ser pré-bariátrico exige muito mais da gente. A conquista dos laudos já é uma grande vitória porque só quem passa por isso é que se dá conta de quantos medos teve e quantos deles foram superados nos últimos meses.
E isso é uma luta tão íntima, tão tua, que mesmo que tu tenha alguém do teu lado nesse momento e, como no meu caso, que também tenha passado por isso, ele não sabe 5% do que se passa contigo. Cada um reage de uma forma, tem um exame diferente e uma reação para as notícias.
No fim, somos todos iguais: vencedores!