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Por que cirurgia?

Porque sim.
Eu ainda vejo várias alternativas para mim, mas não vejo a eficiência de nenhuma no meu atual estado de saúde e, principalmente, mental.

Sabe autoestima? Então me conte porque eu não sei. Faz muito tempo que não nos encontramos. Faz muito tempo que eu não faço ideia do que estou refletindo no espelho, faz muito tempo que choro quando tenho que pensar em mim.

Mas sabe, o cérebro é uma coisa engraçada, porque sabe o que toda essa tristeza/ansiedade me faz? Comer. Depois vem o arrependimento. A raiva. A tristeza e... comer.

Parece ridículo, mas é impensado. Quando eu percebo já foi. Lembro-me numa dessas guerras contra a balança eu ter comido um pedaço considerável de goiabada que minha mãe tinha comprado. Dei fim na goiabada. Não seria um problema tão estranho se não fosse o fato de eu detestar goiabada. Nunca em sã consciência eu experimentaria.

Eu já usei agulha nas orelhas para diminuir a ansiedade. Funcionou! Emagreci 13kg em 2 meses, lá em 2004 quando eu tinha 17 anos. Não foi minha primeira dieta, mas foi a que mais vi resultado. Na época eu também diminuí drasticamente o consumo de carboidratos. No final dos dois meses, cada vez que eu tinha que ir ao médico eu chorava com medo de enfrentar a balança, medo de ter engordado, medo.
Desisti.
Dentro do mesmo ano eu já tinha engordado os 13kg e no ano seguinte mais 15.

Em 2011 fiz outra dieta com uso de medicação. Nesses 7 anos entre 2004 e 2011 eu já tinha tentado de tudo. Em 2011 finalmente fiz reeducação alimentar, porém, o médico me receitou a sibutramina. E AI MEU DEUS, como deu errado. Emagreci 18kg em 3 meses, mas o final foi  esse:

ME RALEI COM SIBUTRAMINA  <--- isso é um link

Espero que o link ainda esteja funcionando porque eu nunca tive coragem de assistir essa entrevista. Lembro que uma repórter do Bem Estar (Globo) me contatou via e-mail porque encontrou um texto meu pela internet e na evolução, dei essa entrevista. Eu nunca assisti por medo de me ver na tela. Na época eu tinha 30kg a menos do que tenho hoje e já detestava me ver.

Aí depois minha vida foi ladeira abaixo em alguns sentidos. Tive depressão, crise de pânico, crise de ansiedade, e como boa pessoa que sou, descontei na comida porque seres humanos não merecem minhas frustrações.

Também deixei de comer carne e meu estômago simplesmente esqueceu o que significa saciedade. (Isso vai ser matéria de outro texto. E deixar de comer carne foi uma das decisões que mais me orgulho de ter feito).

Então, antes de me desesperar, me frustrar e me sentir pior, eu decidi me dar mais uma chance. Aliás, mesmo em minhas crises depressivas eu NUNCA pensei em suicídio, eu só queria ser diferente do que era e sei bem o quanto isso é errado. Mas me conhecendo, sei que preciso de decisões drásticas para poder dar um rumo e efetivamente mudar. Decidi, portanto, fazer cirurgia bariátrica.

Não estou com medo.
Não estou pensando se perderei cabelo.
Não estou pensando em o que pode dar errado.

Eu estou pensando que terei que dar o melhor de mim.
Penso que fazer uma cirurgia é uma decisão bastante difícil e que isso, pra quem não precisa, é visto como 'falta de força de vontade' e pra quem está do lado de cá é uma dor do tipo tapa na cara.
Penso que vou conseguir voltar a fazer muita coisa que gostaria de fazer hoje.

Sei que se não cuidar eu posso engordar tudo de novo. Posso colocar tudo a perder. Sei que o índice de pessoas que engordam novamente é alarmante. Sei de todos os contras.

Mas os prós são tão melhores. Saúde. Disposição. Respiração. Não conviver com tantas dores e: autoestima.

Estes são os meus porquês.
Já fui na 1ª consulta com o cirurgião onde ele me encaminhou para os exames e para a equipe médica (nutricionista, psicologa, cardiologista e endocrinologista) e para quem quiser me acompanhar, estará tudo aqui.

Bem-vindos!

E que venham os novos dias. E que venha a nova vida!
 
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