Então eu não consegui escrever antes da cirurgia, mas vamos lá!
O tempo que tive entre a notícia da antecipação da cirurgia usei entre consultas, visitar a família, comemorar com os amigos e trabalhar, porque tinha uma semana de coisas pra por em dia.
A cirurgia começou às 8h e fui pra sala de recuperação às 10:30. 11h já estava conversando com minha mãe no horário de visita.
Às 16h eu já dei minha primeira caminhada e fiz xixi.
Se eu disser que senti dores eu vou estar mentindo, mas senti um desconforto enorme por causa dos gases.
O médico explicou que em cirurgias por vídeo é injetado gás para separar os órgãos e blablabla (porque nao entendi muito bem), e era isso, a gente fica gaseificado depois e isso acaba dando o referido desconforto.
Eu fiquei na sala de recuperação por 30h, superbem tratada, as enfermeiras e tecnicas de enfermagem sempre em cima, medicado e ajudando.
24h veio a fisioterapeuta e me ensinou alguns exercícios para a respiração, gases e circulação.
Eu tomei banho de chuveiro também. Caminhei bastante.
Sei que tive sorte. Médico disse que meu fígado estava bastante pesado e ficava caindo o tempo todo.
Teve uma paciente que fez cirurgia exatamente igual após a minha e sei que ela estava com muitas dores, recebendo morfina direto. Eu ganhei dipirona e só.
Então cada corpo reage de uma forma. E eu estou tão bem. Estava contando as horas pra vir aqui escrever que deu tudo certo.
Não é a melhor sensação do mundo porque tu fica desconfortável pra se mexer, parece que qualquer movimento os pontos vão arrebentar e tu está vulnerável, se sentindo (mais) feia, cabelo grudado na cabeça de ficar deitada.
Particularmente até prefiro não receber visitas nesses momentos, mas são tantas pessoas torcendo por mim, que nao tenho do que reclamar. E certamente amanhã ja estarei ainda melhor e mais gente.
Estou feliz com minha recuperação. Ontem tomei agua. Hoje recebi gelatina, cha, caldinho, mas mal consegui passar da segunda colherada. O engraçado é que na hora que chegou a gelatina, pensei: isso eu tomo num gole! HAHAHAHA.
Então tenho uma nova vida a me adaptar com a certeza que foi uma excelente decisão pela minha saúde.
Saúde! Mal posso esperar para recupera-la e me livrar de tantos remédios e dores.
A palavra do dia é, mais uma vez, gratidão.
Em meio a uma quarta-feira ansiosa para todos os gremistas que, assim como eu, esperavam pela final da Copa do Brasil, eu recebo um telefonema às 18:45 com a seguinte informação:
- Tônia, tua cirurgia teve que ser remarcada (AIMEUDEUS), na verdade, adiantada (SOCORRO), ficou para segunda-feira, dia 12.
- QUANDO? COMO? AGORA?
Bom, o resumo da ópera foi esse. Eu tremia e não conseguia ligar para meu chefe para informar a situação e ver o que faríamos. Depois, não conseguia ligar para minha mãe dizer que ela precisava antecipar a vinda dela. Depois disso eu decidi: Não quero falar de cirurgia hoje.
Pintei a cara nas cores do meu Grêmio. Juntei os amigos e #partiuGoethe. Eu pensava tanto nisso quando eu era adolescente, de ver os gremistas na Goethe, pensava se era perigoso mas queria estar lá. Era tão distante pra quem morava no interior do estado. E naquele momento eu estava ali, junto de não sei quantos mil torcedores, batendo records, sendo CAMPEÕES.
Consegui dormir já passava às 4h da manhã. Só pensando em Grêmio, em alegria no meio desse ano bem bosta de 2016. Conseguindo acender uma alegria depois de uma semana tão dolorida com nossa irmã caçula, Chape. Eu vi um Grêmio que há tanto não via. Os torcedores, a risada, o choro e qualquer piadinha se tornou tão irrelevante. De cheiro de mofo, de o que for, porque é tudo tão novo da mesma forma de sempre. Foi uma alegria sem fim.
Voltando a minha realidade, manhã de trabalho com difícil concentração. Por vezes falava pra mim: VAMOS LÁ, TÔNIA. E enfim, voltei a cirurgia.
Não tenho muito o que pensar até conversar com o médico e tirar minhas 859 dúvidas. Sei que segunda-feira, às 6h estarei indo para o hospital para às 7:30 entrar para a cirurgia.
Hoje vou à clínica resolver pendências e entregar termo de consentimento.
Na verdade, eu não sinto ansiedade agora, não tenho medo. Talvez sinta um frio na barriga a caminho do hospital, mas como já falei reiteradas vezes para quem me conhece, eu tô fazendo isso pela minha saúde porque aparentemente, cheguei no meu limite e sim, eu não aguento mais.
DORES, eu não aguento mais sentir dores por conta do peso. Nas costas, nos joelhos, nos pés, na consciência e na vida.
Eu não aguento mais sentir vergonha e fingir que está tudo bem. É como se todo dia eu acordasse e fosse uma mentira pra contar.
A bariátrica não é uma cirurgia apenas, é um tratamento e quem passa sabe o quanto exige de cada um. Então eu sei que daqui 5 (CINCO) dias, minha vida vai mudar e eu queria dividir com vocês o quanto estou feliz com isso.
Obrigada, dezembro!
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