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... porque ano que vem eu chego nos 30.

Nunca tive problema com idade ou com envelhecer. Tecnicamente, nunca fui vaidosa e sempre fui impaciente. E assim se passaram 29 anos.

Quando penso nisso só me vem uma palavra na cabeça: CREDO!

É como se eu não soubesse onde eu estava esse tempo todo e quando percebi já estava/estou chegando na idade que sempre ouço mulher falando que tudo começa a piorar/cair. 

Hormônios...

Quando eu tinha uns 14 anos estava na sala de espera da dentista quando outra paciente dela puxou papo comigo. Ela tinha um bebê de colo, mas aparentava ser bem mais velha (que eu). Ela me disse que tinha 49 anos. E eu: UAU!
Não que fosse coisa de outro mundo, ser mãe não tem idade, inclusive conheço parideiras também que nunca souberam o significado da maternidade mesmo dizendo que ser mãe é maravilhoso... (tô julgando? Talvez). Mas o fato é que aquela moça (senhora?) do dentista me disse que achava que eu tinha uns 18/20 anos.
Eu tomei como um elogio naquela época porque eu em nenhum momento pensei em aparência. Considerei que ela estava falando do meu intelecto e me achava a inteligentona naquele instante. Ah, eu era mesmo. Acho que fui uma adolescente esperta, mas ser sempre uma coisa só é difícil, talvez por isso eu tenha passado por uma fase que me senti um tanto insegura sobre a vida.

Daí tô pensando que ano que vem eu faço 30. TRINTA. T-R-I-N-T-A! E me desculpem as novinhas, mas todo esse peito e nariz empinado é maravilhoso, mas vocês ainda não experimentaram a sensação de independência! E isso, amores... AH!


E daí, ok. Antes que tudo piore, que tudo caia, que tudo seja mais difícil, é hora de eu fazer algo por mim. De buscar minha saúde, de resgatar alguma vaidade e de sorrir sem ter metais nos dentes. De sofrer de gastrite por tomar muito café, de achar balada uma palavra escrota exatamente igual a festa que leva esse nome. Que sair tomar cerveja com os amigos, ou simplesmente receber os amigos em casa tem um valor inestimável, e que ter saudade da família é algo suportável, mas que é essencial não sentir e estar por perto.

O ser humano anda perdido, o índice de jovens (dos quais me incluo) que sofrem com depressão e ansiedade é cada vez maior, e a insatisfação com o atual status é parte da evolução. 

Gente! Eu tô chegando nos 30! Tô prestes a borboletar e tô incrivelmente OK com isso.

Não sabia que ter 29 anos é finalmente se dar conta que não conta como hora extra todo o tempo que tu gasta chorando pelo teu trabalho. Assim como não contou como hora complementar todo o tempo que passei reclamando da faculdade. E também que não conta pontos no campeonato mundial de seres humanos viver de relações falidas, com humanos que respiram raiva e com quem nada mais te acrescenta.

Ah, Renato, se eu soubesse do que você falava na música 29, eu nunca teria ansiado chegar nessa idade. Mas eu também  aos 29 com retorno de Saturno, decidi começar a viver.

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