Quando eu decidi fazer a cirurgia eu chorei muito. Já vinha com algumas situações particulares desgastantes onde acabei ficando bastante introspectiva.
Meu choro era por me sentir fracassada. Já tentei tantas vezes e havia dado certo, eu realmente emagrecia, mas agora eu não estava conseguindo, me sentia ansiosa pela balança não se mexer e, assim, decidi.
Contei pra minha mãe e ao meu namorado. 2 ou 3 amigos também ficaram sabendo. E só.
Entrei em grupos do facebook procurando indicações de médicos, fui fazer pesquisa e, finalmente, consegui marcar a primeira consulta com o cirurgião. Aliás, eu nem sabia que era com o cirurgião primeiro, pensei que algum outro médico que me encaminharia a ele. Fui bem mal atendida em algumas clínicas justamente por esta minha ignorância.
Será que só eu não sabia?
Mas encontrei um por sugestão de uma amiga.
* O Cirurgião *
A consulta foi de 45min onde os primeiros 20 min só eu falei. Falei. Falei. Enchi os olhos d'água. Contei que não me sentia feliz em estar ali mas que precisava de um recomeço.
Tudo o que eu temia se esvaiu em minutos. Eu senti uma segurança tão grande com o cirurgião. Primeiro porque ele me fez entender que tudo o que eu sentia era normal mas que não havia necessidade daquilo. A cirurgia não é um milagre, mas um auxílio mais eficaz do que medicamentos, por exemplo. Aliás, ele me convenceu que se fosse minha vontade, a cirurgia seria o AUXÍLIO mais eficaz.
Conversamos sobre passado (a ansiedade), presente (as dores) e o futuro (recomeço) e ele me explicou toda a função da equipe multidisciplinar que deverão me dar os laudos para enfim realizar a cirurgia.
A equipe multidisciplinar é composta por Nutricionista, Psicologa, Endócrino e, ainda, Cardiologista.
Além disso, ele já repassou a requisição de exames (sangue, urina, endoscopia e ecografia) que seriam interessantes já levar nas consultas com a equipe.
Saí da consulta com uma sensação de liberdade e de que tem tudo para dar certo se eu focar. E vi que não era vergonha nenhuma e que eu não precisava esconder de ninguém, mesmo que seja uma situação tão particular e que só eu mesma sei onde o sapato aperta.
Mesmo sendo uma decisão recente, não vejo problemas em falar sobre ela. Eu só quero uma nova chance de não sentir mais dores no corpo e de voltar a algumas atividades, além de voltar a me olhar no espelho e reconhecer o que estou refletindo.
* A psicologa *
Confesso que tive medo dessa consulta porque eu sei que iria ter que falar sobre meus fracassos e sobre alguma doença. Teria que contar sobre crises de ansiedade e pânico que tive. Teria que ser sincera e falar que uso antidepressivos e talvez isso tudo fosse um empecilho para a cirurgia.
Eu entrei na consulta já me sentindo em casa. Incomodada por ficar sentada em um sofá, sem uma mesa na frente para esconder meu corpo, mas respirei fundo e mais uma vez falei tudo. Tive dificuldades pra citar minhas qualidades e comecei a pensar onde foi que eu me perdi.
Mas, talvez eu realmente esteja me buscando, ou seja lá o que for. Sei que irei retornar la na semana que vem e me sinto bem ok sobre isso. Me sinto preparada para as dificuldades que sei que terei: a perda de cabelo, a alimentação líquida dos primeiros dias ou mês, o repouso, e o recomeçar.
E sim, acredito que precisarei do apoio psicologico. Aliás, dou suma importância a tal apoio porque em rápida pesquisa com bariátricos se pode verificar o número daqueles que engordam tudo de novo e mais um pouco, além de não se reconhecerem magros. É normal? Sim, mas uma orientação psicológica ensina a conviver com as adversidades pós cirurgia.
Agora semana que vem retorno lá para mais uma avaliação e, talvez, algum teste. Fico meio ansiosa para ter esse OK, mas nada que me tire o sono. Haha.
Em frente!
* A nutricionista *
Já cheguei super a vontade nessa consulta porque eu não tinha o que esconder. Sabia das alterações que apareceram nos exames e sabia que se alguém iria realmente me ajudar, este alguém seria a nutricionista. Aliás, é ela.
Não é muito legal essa coisa de pesos e medidas, mas foi tão descontraído que nem senti. Ela me deixou claro que seria minha melhor amiga e que se eu fracassasse, ela também estava fracassando no trabalho dela e nós não queremos isso.
Ela conversou sobre o momento da dieta líquida, da reposição de vitaminas, da lista de compras pós operatório, da dieta e da reeducação alimentar. Falou também de quando o peso estacionar e de mudanças de estratégias.
Da equipe toda, meu contato com ela será o mais longo de todos, muito provavelmente por mais de um ano após a cirurgia e, de certa forma, isso me conforta porque eu sei que preciso dessa vigilância e do conselho.
Não como carne, então as fontes de proteínas terão que estar sempre em evidência, afinal, emagrecer é maravilhoso, mas se desnutrir é diretamente o inverso.
Meu foco é, primeiramente, saúde. E pode parecer hipocrisia porque se olhar no espelho e gostar do que vê deve ser realmente muito bom, mas eu não gosto de conviver com as dores que sinto e as limitações que tenho.
Deveria servir de motivação para eu emagrecer sem cirurgia?
Olha, jovem! A vida não é esse teu morango mas ainda bem que a medicina evoluiu a ponto de caminhar conosco.
Dá a mão aqui!
*Proximas consultas*
Reconsulta com a psicologa
Cardiologista
Cirurgião para levar as boas novas.